Nos últimos tempos, foi comum falar da concorrência cada vez mais acirrada no setor de meios de pagamento. Para isso, foi criada a alcunha “guerra das maquininhas” para nomear a disputa entre empresas como Cielo, Rede, PagSeguro, Stone, Mercado Livre, Getnet, entre outras.

Em 15/6, no entanto, entrou mais um concorrente de peso: o WhatsApp, controlado pelo gigante Facebook. É bem verdade que o termo “maquininha” não entra bem nesse caso – mas exemplifica o quanto que as empresas estão de olho no filão dos meios de pagamento.

Além do Facebook, gigantes como a empresa de tecnologia Google e as fabricantes de eletrônicos Apple e Samsung já têm os seus próprios meios. Mas a entrada do WhatsApp joga mais peso à essa disputa.

Testes no Brasil

O Brasil foi escolhido para ser o primeiro a testar a nova ferramenta. Isso porque, uma pesquisa realizada pela consultoria Opinion Box em parceria com a Mobile Time mostra que 99% dos smartphones no Brasil possuem o WhatsApp instalado. Segundo o Facebook, o Brasil tem 120 milhões de usuários ativos por mês, atrás apenas da Índia, com 400 milhões.

“Acredito que a decisão terá impacto relevante no comportamento da população. Se der certo, vai criar uma nova fonte de renda e influência para o Facebook, que tem quase 100% da sua receita atrelada à mídia”, disse Pedro Waengertner, fundador da aceleradora ACE.

Por isso, o anúncio causou uma volatilidade muito grande das ações das empresas do setor com o anúncio quase que surpreendente do WhatsApp. As ações da Stone e da PagSeguro chegaram a quedas próximas dos 10% no pregão de segunda-feira, mas se recuperaram durante o dia e fecharam com desvalorizações de 0,1% e 2,5%, respectivamente.

A Cielo, que é a primeira parceria do Facebook nesse projeto, chegou a ter uma alta de 34% no dia, mas fechou com aumento de 14% no preço das ações. Apesar de, em breve, outras adquirentes poderem participar do jogo, a Cielo leva uma grande vantagem: o seu tamanho.

A empresa ainda é líder com folga do setor, com 41,8% de participação do mercado. “O tamanho continua importando muito e a empresa mostra que está atenta às inovações”, diz Carlos Daltozo, sócio de renda variável da Eleven Financial.

Mas houve um reequilíbrio nos preços porque ainda é muito cedo para saber qual vai ser a real adoção do sistema de pagamento por WhatsApp. A prática de um “super aplicativo”, que concentra diversos serviços como mensagens, meios de pagamento e até solicitação de táxis e comida, são muito comuns na Ásia – WeChat é o exemplo mais notório.

No Ocidente, no entanto, a prática ainda não pegou. E essa continua sendo a dúvida. Por isso, as próprias empresas de meios de pagamento estão se renovando para além da maquininha.

Fonte: CNN Brasil