Neste sábado, 20/1, o “papa” da gastronomia francesa, o renomado chef de cozinha francês Paul Bocuse, faleceu aos 91 anos. A informação foi dada pelo ministro francês do Interior, Gérard Collomb, em seu perfil no Twitter, onde ainda escreveu que “Sr. Paul era a França. Simplicidade e generosidade. Excelência e arte de viver”.

Devido seu grande sucesso, Bocuse se tornou inspiração para o filme de animação Ratatouille, de 2007, e para todos nós, amantes da arte gastronômica.

Trajetória

Desde 1965, Paul Bocuse tinha três estrelas no Guia Michelin, bíblia da gastronomia mundial, com seu restaurante localizado no subúrbio de Lyon, e era conhecido como o ‘papa’ da gastronomia francesa. O chef também fez crescer seu negócio e suas habilidades na cozinha, construindo um império gastronômico global.

Segundo amigos, Bocuse morreu em seu restaurante de Collonges-au-Mont-d’Or, no vilarejo perto de Lyon, na região centro-leste do país. Ele sofria do Mal de Parkinson há duas décadas. Em entrevistas, dizia que tinha três mulheres. Primeiro, se casou em 1946 com Raymonde Duvert; 20 anos depois conheceu Raymone Carlut; e aos 70 anos se uniu a Patricia Zizza, que gerenciava a sua carreira.

Bocuse começou a se envolver com culinária ainda adolescente. Aos 15 anos, tornou-se aprendiz de Claude Maret. Em 1944, quando chegou à maioridade, se alistou nas Forças Francesas Livres para combater na Alemanha nazista, época em que ganhou a tatuagem que levava no braço esquerdo com a imagem de um galo, feita pelos soldados americanos que lhe atenderam após um ferimento.

Depois da guerra, o jovem Bocuse continuou sua formação e fez amizade com os irmãos-cozinheiros Troisgros e se colocou à disposição de Fernand Point, que ele considera seu “mentor” — e para quem dedicou seus caranguejos de rio gratinados.

Em 1958, abriu seu próprio restaurante, recuperando o L’Auberge du Pont, a loja da família, e que foi rebatizado com seu próprio nome. Em 1965, recebeu a terceira das estrelas, que nunca lhe abandonaram.

Criador em 1987 do Bocuse d’Or, um prestigiado concurso de gastronomia bienal, a lenda dos fogões franceses também contribuiu para a formação de seus sucessores com a fundação em 1990 do Instituto Bocuse, com sede em Lyon.

Bocuse foi um dos primeiros exponentes da “nouvelle cuisine”, que reinterpretou a culinária francesa tradicional com menos manteiga e creme e com foco em ingredientes frescos e apresentação elegante.

A saúde do chef fraquejou com o Parkinson, mas ele não perdeu o bom humor. Em 2014, por exemplo, se submeteu a uma complicada cirurgia e, ao se recuperar, disse à sua mulher: “Querida, fui bem-sucedido na vida, mas fracassei na morte”.

Com informações de MSN e G1