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O Ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, acenou positivamente para o início dos trabalhos visando estimação dos principais agregados macroeconômicos do Turismo no Brasil.

O turismo é um fenômeno social de grandes proporções. Segundo estatísticas da OMT, em 2017, o número de chegadas internacionais de turistas no mundo (o denominado receptivo internacional) quase ultrapassou a marca de 1.3 bilhão (OMT 2018). Se a este número somarmos as viagens domésticas, que em países como o Brasil movimentam quantitativos de turistas substancialmente maiores do que o tráfego turístico internacional (FIPE, 2012 MTur), chegaremos a, aproximadamente, quase 3 bilhões de viajantes em todo globo. Esse imenso contingente de turistas e viagens no Brasil e no mundo se traduz em dimensões econômicas notáveis.  As estimativas da World Travel and Tourism Council indicam que o Turismo responde direta e indiretamente por cerca de 3,1% da produção econômica mundial e, indiretamente, por cerca de 10,2% (WTCC, 2017).

Apesar dessa grande importância do Turismo no mundo atual, a produção de estatísticas econômicas sobre o setor (teorometria) é relativamente deficiente. Tal realidade deve-se, sobretudo, à natureza diferenciada e complexa do setor.

Tradicionalmente, a classificação das atividades econômicas é feita pela natureza e tipos de seus produtos. O setor de atividade automobilística, por exemplo, pode ser identificado pelas características dos produtos (veículos de passageiros e de carga, auto peças, componentes entre outros).  Contudo, essa perspectiva não se aplica ao Turismo. A atividade turística não é identificada pelos produtos gerados, mas sim pela condição de visitante, consumidor, ou seja, o viajante fora de seu entorno habitual de vida, então qualquer produção econômica diretamente associada aos visitantes deve ser identificada como de consumo turístico. Portanto, Turismo é uma atividade definida a partir da ótica do consumo, ou da demanda dos produtos e não de sua produção ou oferta. Essa característica especial do turismo faz com que o setor não figure no Sistema de Contas Nacionais (SCN) de um país, não sendo regularmente mensurado pelos órgãos nacionais de estatísticas.

Frente a essa condição, na Conferência sobre Estatísticas de Viagens e Turismo, realizada em 1994, no Canadá, a OMT, com aprovação da United Nations Statistical Commission (UNSC), passou a ter como meta o desenvolvimento de uma metodologia de classificação e de apuração das estatísticas econômicas do Turismo, por meio de uma estrutura contábil similar ao das Contas Nacionais, estrutura essa que viria a ser denominada de Conta Satélite do Turismo (CST). Desenvolvida por uma comissão de especialistas instituída pela OMT, a versão final da nova (CST) foi apresentada no “Enzo Paci World Conference on the Measurement of Economic impacto of Tourism”, na França, em junho de 1999, sendo posteriormente submetida e aprovada pela XIII Assembleia Geral da OMT, realizada no Chile em outubro do mesmo ano. Tive a honra de testemunhar os três eventos em razão de minha função de delegado representante das Américas na Comissão de Ética da OMT por três mandatos.

A partir disso, a OMT passou a fomentar a adoção da CST por todos os países membros, no intuito destes gerarem e disporem de um conjunto de estatísticas econômicas do setor turismo, padronizadas e, portanto, comparáveis internacionalmente. Na estrutura da CST desenvolvida pela OMT, composta por um conjunto de 10 tabelas, é sugerido que sejam dimensionados a produção total, o valor agregado, o consumo intermediário, a geração de renda, os empregos, os lucros, os impostos e os investimentos, desagregando os valores por atividade econômica específica (hotelaria, transporte, agenciamento, alimentação, eventos, congressos e exposições, lazer e entretenimento) por tipo de fluxo turístico (receptivo, emissivo e doméstico).

Espero, com meus colegas da USP, notadamente da FIPE, desde 1991 sob o comando do Professor Wilson Rabahy e Décio Kadota e muitos dos nossos ex- alunos que integram essa geração que possamos agora, finalmente, com o sinal verde do MTur, chegar a ter a nossa CST a exemplo dos 58 países que já a possuem, sendo quatro da América do Sul: Chile, Colômbia, Equador e Peru.

Mario Beni, Professor Titular (aposentado) da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e colaborador do SinHoRes Osasco – Alphaville e Região