A montagem de empreendimentos gastronômicos passa por um plano de negócios, no qual está definido o tipo de alimentos e serviços prestados alinhados aos equipamentos necessários para a concepção do espaço arquitetônico. Essas são questões técnicas relacionadas à funcionalidade do espaço. Devem ser pensadas para um funcionamento eficiente considerando os fluxos, no intuito de manter a segurança alimentar e uma melhor qualidade e produtividade nos serviços.

Uma vez que as definições de funcionalidade, segurança e adequação à legislação estão resolvidas, o próximo passo é criar uma atmosfera no espaço comercial relacionada à natureza do negócio.

Pesquisas de marketing experiencial apontam que o design atua como imagem empresarial, influenciando o consumidor nas suas escolhas. Portanto, o menu ofertado pelo empreendimento deve estar relacionado com a estética arquitetônica adotada, de modo que retrate e valorize os produtos e serviços prestados. Ou seja, o projeto arquitetônico deve enfocar as características do cardápio para que possa selecionar sua clientela. O intuito é criar sensações e percepções que gerem ações e estímulos emocionais positivos e prazerosos para o consumidor.

Que experiências o espaço quer passar aos clientes e usuários? De que maneira desperta sensações e torna o local atrativo? Essas são questões que devem ser respondidas com a análise e a definição da atmosfera, do caráter e do estilo que o empreendimento quer passar aos seus consumidores.

Os elementos de arquitetura de interiores e decoração devem ter uma linguagem estética que gerem uma mensagem a ser observada e interpretada pelo usuário do espaço. O consumidor é sensibilizado por elementos visuais, táteis e olfativos que criem sensações interpretadas como uma mensagem. Essa mensagem deve ser condizente com a imagem empresarial. Ela pode ser elaborada por meio dos elementos arquitetônicos que compõem o espaço.

A composição de elementos, como diferentes texturas oferecidas pela diversidade de materiais, apresenta estruturas mais criativas e personalizadas. Alguns cuidados devem ser observados na escolha das texturas. Tais como: preferência por superfícies mais lisas, que refletem mais a luz e intensificam a cor; atenção à acústica na escolha de materiais que façam a absorção de ruídos; facilidade de limpeza e manutenção; questão da segurança pensando em superfícies que não sejam escorregadias; sensação da temperatura, na qual superfícies polidas tendem a ser mais frias, entre outros.

A iluminação em um empreendimento gastronômico pode direcionar o público. A luz com tonalidade amarelada é mais suave e induz a refeições tranquilas e sem pressa. Já a luz branca e intensa gera uma aceleração de movimentos. E pode estar relacionado aos preços praticados pelo estabelecimento. Diversos cenários podem ser destacados pela iluminação, como objetos ou regiões que devem chamar a atenção. A luz de facho pode ser uma solução para ambientes mais escuros onde se quer proporcionar um espaço de tarefa, por exemplo, em cima de uma mesa de refeição.

As cores estão diretamente relacionadas à iluminação, uma vez que pode alterar o espectro tonal. As diferentes culturas reagem de modo diverso aos estímulos das cores. Por isso devem estar relacionadas ao contexto do local e também à imagem da empresa, como logomarcas e cardápios, e a que tipo de estímulo se pretende despertar no cliente.

Além das texturas, iluminação e cores, os objetos decorativos que compõem o espaço, como cortinas, quadros, obras de arte, tapetes, revestimentos, pinturas, pisos e mobiliário devem estar em harmonia e de acordo com a mensagem que se quer passar.

A objetividade da funcionalidade do serviço, dos fluxos e da segurança alimentar, e a qualidade do serviço prestado, aliada à subjetividade das sensações usufruídas pelo consumidor no espaço arquitetônico, vão gerar uma experiência de consumo prazerosa e satisfatória. Isso concretizará um vínculo emocional do consumidor com a empresa, promovendo fidelidade e maior permanência no espaço.

Fonte: Infoods/Texto: Juliana Camara Abitante